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sábado, 6 de novembro de 2010

Sons Externos e Eternos



Fico irritado com o fato de estar ouvindo o som de uma polia girando.
Estou furioso com os latidos de um cão pulguento querendo ração lá fora.
Fico abatido pelos motores de carros e caminhões lá na BR.
Que droga! Grilos não param de fazer “cri-cri” lá na grama!
Meu Deus... E esses dedos que não param de apertar as teclas do PC!
E esse nariz que não para de aspirar um ar barulhento!
Esses ouvidos que não param de ouvir o que é completamente inútil!
Essa cabeça que não para de matutar coisas estúpidas.
Sons que entram e saem. Sentido atinado, que busca oferecer ao cérebro uma visão de algo que não se vê.
É engraçado...
Acho que todos passam por isso. São tantos sons...
Uma gota de orvalho caindo no leito do rio.
Um botijão de gás explodindo dentro de casa, ou talvez um vulcão entrando em erupção.
Uma harpa dedilhada pelo compositor das mais belas canções ou a Susan Boyle cantando pra uma platéia de idiotas preconceituosos, prestes a quebrar a cara.
Tudo o que sentimos aqui, de certa forma, será eternizado.
Mesmo aquilo que externamente recebemos e ignoramos.
Até o que for passageiro ou somente rotina, como o simples ato de piscar.
O que vivenciamos é eterno. Até mesmo o sentimento de angústia, por saber que o mundo jamais vai se calar.
A paz pode ser constituída de um silêncio constante, eminente em outro plano, talvez parecido com a ausência de sons do espaço sideral.
Mesmo assim, o próprio silêncio tem som. Acredite!
Aos poucos ele vai te enlouquecendo e explorando suas vontades mais primitivas.
Não dá pra saber se é melhor estar em meio aos sons externos ou a posterior loucura, advinda do próprio silêncio.
Seria bacana se a loucura abraçasse a raiva, e ambos pulassem pra dentro de um rio.
Assim, eu poderia desfrutar alegremente desses barulhos que me cercam, sem ficar estressado ou confuso.
Como um artista sapateando e criando passos ao som da sola dos sapatos, eu poderia apreciar a falta de nexo de algo tão constante e infinito: Um musical eterno e externo. Talvez fosse algo a se pensar.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O Poço


Dentro de um poço antigo, há um segredo completamente coberto de larvas e sanguessugas.
Julieta, uma camponesa de olhos claros, cabelos longos e loiros, irlandesa nata, desde pequena fazia uso deste poço, cavado pelo seu tri tataravô, que havia saído de Galway, rumo à cidade de Lisboa, com fortes acusações de anti-patriotismo. Levou consigo sua esposa, veterana em uma fábrica de tecidos e costuras, que abominava qualquer demonstração de feminismo, visando expor somente a imagem de durona e de mulher introspectiva.
Sair de uma cidade populosa para outra que ainda estava em fase de crescimento, parecia ser uma ótima opção, pois tudo em Lisboa era muito calmo e o marasmo de conviver com a rotina do campo fez com que a família aumentasse, tendo o casal nove filhos, que mais tarde seguiram em rumos opostos, sem nunca mais dar notícias.
Entretanto, a nora, casada com o filho caçula dos dois, engravidou aos dezessete e entrou em óbito no dia do parto. Catorze dias depois, correu pela cidade a notícia de que a criança não era fruto da relação matrimonial, sendo entregue aos cuidados do casal, pelas mãos do próprio filho, que, para fugir da vergonha decorrente do boato, resolveu se alistar na junta militar do país de origem de seus pais, para nunca mais ter que retornar aquela cidade que lhe trouxera tanto desgosto.
Daquela criança, que era um menino robusto e saudável, descendeu Julieta, a jovem mais bela do vilarejo. Ela estava apaixonada por Edmond, um rapaz rico e possessivo, que lhe pediu em casamento logo que a viu em um festival de artes, que acontecia todo ano em homenagem ao rei. A vida de príncipe fez com que a cegueira enchesse seus olhos de escamas, e tudo o que ele fazia era regar sua vida com muita bebida, festas e mulheres de várias províncias, sem nunca se preocupar com suas obrigações de sucessor do trono.
Sem ter certeza de qual era o sentimento que conservava por ela, fez um casamento marcante, que foi comentado pelas grandes autoridades, burgueses e plebe dos arredores, por aproximadamente uma semana e meia.
Como era de se esperar, os quatro primeiros meses foram de muito romance, passeios a cavalo, beijos e gestos de amor nos cenários mais lindos daquele lugar. Porém, como tudo o que é bom sempre acaba, as discussões começaram. Muitas delas por coisas simples, irrelevantes. Aos poucos elas foram se tornando freqüentes e cada vez mais agressivas, até o dia em que Edmond, bêbado, chegou em casa depois de uma farra noturna com várias mulheres e bebidas e espancou Julieta, que, num ato de desespero, fugiu pela janela do quarto e correu para a casa de seu pai, que era viúvo há nove anos.
Quando caiu em si e se deu conta da besteira que havia feito, Edmond correu até a casa do pai dela, e bradou pedindo perdão, até que toda a vizinhança acordasse e presenciasse aquela cena humilhante e absurda de um homem bêbado recém abandonado.
É claro que não precisou de muito pra ela perdoar. Disse que tentaria esquecer daquilo e levar a vida dali por diante.
Final feliz. Será? Não! É claro que não.
A surras se tornaram cada vez mais constantes, até o dia em que Julieta conheceu o sapateiro, que morava uma quadra antes da sua, e este passou a tratá-la com muito requinte, fazendo a pobre plebéia, que estava carente, se apaixonar por ele.
Não demorou muito pra ela começar a mentir, e sempre que possível, dar suas “fugidinhas” para encontrar seu amante.
Mas, como tudo o que é bom dura pouco, um dos mais ambiciosos serviçais da monarquia flagrou um dos encontros noturnos, no canto escuro da praça menos movimentada da cidade. Com o intuito de obter lucros, relatou ao príncipe tudo o que havia presenciado, mas não recebeu prêmio algum – apenas o consolo de ouvir Edmond sair do salão resmungando e dizendo que não perdoaria Julieta e queria vingança. Alcoólatra do jeito que era, depois de tomar todas em um festejo que estava acontecendo nos fundos da paróquia da cidade, saiu desnorteado atrás de sua esposa, carregando apenas uma faca de corte recém afiada. Pegou o objeto em cima da mesa onde estavam as carnes do banquete, e ninguém viu ele se afastar do lugar, mediante o som de vozes e músicas.
Chegando em casa, nada avistou, além de um bilhete que dizia “O jantar está dentro do fogão a lenha”. Pegou seu cavalo e saiu a galope até a praça que testemunhava os atos de traição [e que já eram freqüentes]. Desceu do animal completamente fora de si e com seus olhos cheios de raiva, avistando de longe, Julieta e o sapateiro aos beijos. Como que num reflexo imediato, ambos ainda tiveram tempo de vê-lo se aproximar, e tentaram justificar seus atos, sendo o sapateiro, o primeiro a levar um golpe, sendo degolado pela faca que atravessou seu pescoço e fez seus olhos arregalarem sem ao menos poder exprimir sua dor. Depois, estendeu o corpo do pobre homem ao chão e partiu pra cima da adultera, que ainda teve tempo de dizer duas ou três vezes “Perdão!”, até cair agonizando, com um rombo próximo ao abdômen.
Os olhos de Edmond ainda exprimiam frieza, enquanto arrastava Julieta, que estava morta, para cima de cavalo. Galopou como nunca antes, até chegar perto do casebre onde ela morou a vida toda, e atirou o corpo ensangüentado pra dentro do poço. Talvez, o poço fosse a única relíquia da família e a herança de Julieta, a plebéia que agora se preparava para virar comida aos vermes e que seria esquecida em no máximo dois ou três meses pelos vizinhos que a viram crescer, mas nunca deram importância a sua existência.
Edmond novamente subiu em seu cavalo. Galopou para nunca mais ser visto, deixando para trás tudo: O luxo, bens matérias e prestígio. Por toda a província se expandiu a notícia sobre o assassinato, porém nunca se teve notícias ou provas de que Edmond havia assassinado Julieta.
A ela só restava a água suja daquele poço. A podridão e a casa abandonada ao lado. Literalmente ela estava no fundo do poço. Já não era ninguém, a não ser um fantasma que sequer penetrava a mente das pessoas.
Uma vida reles, pobre e ineficaz. Lembranças e simplicidade. Nada dentro de um baú. Tudo estava dentro do poço. Sua memória não seria honrada, pois não havia culpados, apenas vítimas de uma história sem começo, meio e fim.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Erin - Conceitos e Traços de Uma Expansão



Não se assuste pequenina. Teus olhos foram escamados e você chorou solitária com os assombros de um mundo escuro e desolado.
Não se turbe bela moça, pois existem portas a sua frente e você tem o poder de decidir o que julga ser o melhor para si mesma.
Não se encante bela flor, o que parecia ser um céu azul encheu-se de nuvens carregadas, relâmpagos e trovões prateados.
Não se esqueça doce menina, essas nuvens são necessárias, pois dela beberás da chuva e suas pétalas crescerão com mais vigor.
Todo o tormento do mês de Setembro voltou. Você precisa disso. Você quer isso. Quem era você até então? Quem era você antes das duas primaveras que se foram? Aproximam-se novamente os lábios claros e os lábios negros, o fogo e a água, a terra e o céu, o Sol e a chuva. Esta é a nossa natureza. Esta é a nossa verdade. Espero ansioso e atino minhas vistas a esta flor que foi plantada entre espinhos. Abrolhos, quem vocês pensam que são para tentar sufocar esta bela flor? Chuva! Devaste com grade tempestade os males que nos cercam. Esperamos ansiosos pelo vindouro dia da bonança.

domingo, 25 de julho de 2010

Dentro do Furacão


Quando eu falo de amor, os olhos enchem de lágrimas porque o amor dói.
Dentro deste furacão só enxergo minhas mãos vazias porque meus pés não vergam no chão. Este sentimento é terrível, confunde, sufoca, mata aos poucos e eu perco a noção do que é certo. Este sentimento é maravilhoso, porque me dá coragem para enfrentar meus demônios e encarar minhas escolhas equivocadas e lamentáveis. Eu já não sei quem sou. Só sei que o vento forte está aí. Só sei que sou falho e que este sentimento me corrói, a ponto de eu já não dar a mínima pra o que é certo ou errado. Já não dou a mínima pra detalhes e opiniões de terceiros. Só estou divagando em idéias confusas e sofrendo por coisas que nem aconteceram. Eu aqui, no olho do furacão.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Erin - Eternamente Poderoso


Eu já admirei estes olhos negros e profundos e tentei desvendar os mistérios que eles guardam.
Eu já contemplei a beleza de quem ama. Já contemplei a beleza de quem não se esquiva das setas que o destino lança.
Você carrega no peito um fardo pesado, um coração cheio de temores e angústias.
Você admira uma estrela no horizonte e tenta tocá-la, mas sabe que tudo é apenas um sonho distante.
Você já flutuou sob a miragem do deserto e pensou que um dia pudesse tomar das águas que jorram de um oásis intocado.
[Você já se esquivou da luz que ilumina a noite, ansiosa pelo romper do dia. Você aguarda pela luz do Sol].
Este sentimento “Eternamente Poderoso” te torna exatamente quem você é: Um coração intenso em busca de troca. Um coração intenso querendo amar. Um coração romântico reduzido as cinzas de um destino incerto.
Se os teus olhos continuamente olharem para frente, lance ao mar estas lembranças que te afligem.
Se os teus olhos equivocadamente desviarem para trás, lembre-se das coisas boas e resgate a esperança perdida.
“Você não é do tamanho da tua altura. Você é do tamanho dos teus sonhos, e se estes sonhos forem de Deus, você é infinito.”

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O Porquê De Ser Sete


Apesar de o Word insistir em querer trocar a palavra “SETE” por “Setembro” (Obra do destino, já que eu faço aniversário em Setembro e esta palavra realmente começa com “sete”), hoje quero explanar um pouco sobre o porquê de ser SETE.
Muitas pessoas acreditam que esteja associado à seqüência “seis, SETE, oito...”, mas não tem nada a ver.
Sete é um número de suma expressão e eu comecei a perceber isso ainda na quarta série, já que desde o pré o meu número na chamada era SETE. Mais tarde, na SÉTIMA série eu pulei de SÉTIMO pra sexto e nunca mais fiquei em sétimo (E olha que eu to estudando até hoje).
Quando fiz meu primeiro vestibular fiquei em sétimo lugar na classificação geral. Quando eu li sobre a genealogia de Adão e Eva, a pessoa que mais me interessou foi o filho menos explorado, ou seja, Sete!
Dentro do cristianismo, sete representa perfeição e descanso, já que os números inferiores representam criatividade e trabalho. Eu nunca quis expor essa imagem, até porque já ficou bem claro pra mim que eu não tenho nada de perfeito.
Porém, eu acho que de certa forma, simbolicamente este número me persegue. Talvez eu realmente esteja ficando louco, mas por hora eu não consigo lembrar de outros fatos curiosos envolvendo este número perfeito. Só sei que a semana tem SETE dias, o arco-íris tem SETE cores, os pecados capitais são SETE, as maiores maravilhas do mundo são SETE, enfim, este número, este nome, este símbolo tornaram-se parte da minha identidade. Já faz 6 anos e meio que estou nessa. Aos SETE só Deus sabe o que vem pela frente.
Enfim, espero que tenham gostado. Não foi lá uma explicação muito coerente, mas acredito que a partir de hoje, quando alguém perguntar “Sete, por que Sete?”, eu irei responder “Vide o blog”.
Até breve!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Borboleta


A vida é cheia de altos e baixos.
Desde que nasci sempre me alimentei de coisas amargas e sempre me escondi no conforto da comodidade.
Minha visão sempre foi de baixo porque nunca me arquei para o alto e jamais priorizei meus sonhos (Sobreviver era mais importante). Rastejar era minha habilidade exímia. Haviam predadores e o subsolo era o lugar mais seguro para eu estar.
Mas houve um momento em minha vida, que tomei a decisão mais importante e definitiva, capaz de mudar minha história e me fazer enxergar uma nova realidade. Decidi escalar o ponto mais alto de um muro chamado “cegueira” e me isolei em um lugar pequeno, apertado, para desfazer aquilo que era “casca”, aquilo que era a vestimenta que as pessoas haviam me dado.
Houve muita dor, haviam muitos riscos, houve muitas decepções. Porém, essa transformação apagou meu passado, pois hoje eu vejo as coisas do alto. As asas coloridas e o néctar mais doce, fazem de mim quem eu sou hoje. Não mais um fracassado. Não mais a escória que se esconde.
Hoje estou fora do casulo e enxergo os raios do Sol. De que valia a vida por 1 ano, se eu comia os restos e fugia de pessoas que nem sabiam quem eu nasci para me tornar?
Esqueço da lama e lembro-me dos campos e das flores. Esqueço das folhas secas e lembro-me do néctar e sabores. Mais vale viver em uma semana do que sobreviver em um ano. Mais vale acreditar em meus sonhos do que rastejar pelos outros. Olho as coisas aqui do alto e apenas digo: Deus, muito obrigado.